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História de Rio Pardo

HISTÓRIA DE RIO PARDO

No século XVIII Portugal empenhava-se em expandir suas fronteiras ao sul de sua colônia americana. As terras que hoje formam o Rio Grande do Sul deveriam pertencer à Espanha, mas, atraídos pelo comércio na região do rio da Prata e pelo gado xucro existente nos campos gaúchos, os portugueses as disputavam com os espanhóis.

Para resolver este e outros problemas em suas colônias, em 1750 as duas nações ibéricas assinaram o Tratado de Madri. Para marcar as novas fronteiras, o governo português providenciou a instalação de um depósito de armas e munições na margem esquerda da confluência dos rios Pardo e Jacuí. Em 1752, este depósito foi transformado no Forte Jesus-Maria-José.

Os conflitos eram constantes na região. Os primeiros habitantes eram índios da Tradição Tupi-Guarani, que se viram envolvidos nos conflitos entre os europeus. Procurando por segurança, a população civil que já circulava, formada principalmente por tropeiros, comerciantes e açoriano, começou a aproximar-se da região do Forte. Esta foi a origem da cidade de Rio Pardo.

Os anos seguintes foram de muita insegurança. Os índios catequizados pelos jesuítas espanhóis recusaram-se a abandonar a região dos Sete Povos das Missões, que pelo novo tratado pertenceria a Portugal, e causaram a Guerra Guaranítica. Rio Pardo era então a fronteira dos domínios portugueses e seu Forte foi reforçado. Em 1756 os índios foram derrotados e em 1761 o Tratado de Madri foi anulado.

A partir de 1763 os espanhóis resolveram retomar as terras gaúchas já conquistadas pelos portugueses. Tomaram a colônia portuguesa do Santíssimo Sacramento, no Uruguai, conquistaram Rio Grande e investiram sobre Rio Pardo, planejando reconquistar toda a Capitania de São Pedro. Porém, não conseguiram tomar o Forte Jesus-Maria-José e tiveram de recuar. Neste período, o Forte de Rio Pardo recebeu a denominação de “Tranqueira Invicta”, por nunca ter sido derrotado. Em 1769 o povoado foi elevado à condição de freguesia de Nossa Senhora do Rosário. Em 1787 a produção de gado da região de Rio Pardo era a maior do Rio Grande do Sul. Finalmente, em 1801 definiram-se as fronteiras do Rio Grande do Sul, quando Manoel dos Santos Pedroso e José Borges do Canto partiram de Rio Pardo para conquistar a região das Missões.

Em 1809, com a conquista consolidada, o governo português promoveu a primeira divisão administrativa do Rio Grande do Sul, com a criação das quatro primeiras vilas: Rio Grande, Porto Alegre, Rio Pardo e Santo Antônio da Patrulha, sendo Rio Pardo a maior delas, com uma área de 156.803 km². A Vila de Rio Pardo era próspera, devido à produção da pecuária e ao comércio, desenvolvido graças à sua localização, às margens do rio Pardo. Aos poucos, a zona urbana foi recebendo melhoramentos: agência de correios, calçamento de ruas, criação de escola de primeiras letras. Em 31 de março de 1846 a Vila foi elevada à categoria de cidade.

Hoje, Rio Pardo é uma cidade que apresenta as marcas positivas deste intenso passado histórico. Marcas evidentes, expressas no seu patrimônio arquitetônico, formado por inúmeros prédios construídos em sucessivas épocas, e pelo patrimônio cultural de sua rica história. São características históricas que representam um grande potencial turístico que, bem explorado, reverte em benefícios econômicos para toda a sua população.


Texto: Professora Silvia Barros. 
Departamento de Pesquisa Histórica - Arquivo Histórico.

Referência: VOGT, Olgário Paulo; SILVEIRA, Rogério Leandro Lima da (Org.). Vale do Rio Pardo: (re)conhecendo a região. 1. ed. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2001.

O Município

História de Rio Pardo
História de Rio Pardo

No século XVIII Portugal empenhava-se em expandir suas fronteiras ao sul de sua colônia americana. As terras que hoje formam o Rio Grande do Sul deveriam pertencer à Espanha, mas, atraídos pelo comércio na região do rio da Prata e pelo gado xucro existente nos campos gaúchos, os portugueses as disputavam com os espanhóis.